Ferramenta de apoio à avaliação Doppler das artérias oftálmicas maternas.
Os resultados devem ser interpretados em conjunto com o contexto clínico e a qualidade técnica do exame ultrassonográfico.
A avaliação Doppler das artérias oftálmicas pode auxiliar na investigação hemodinâmica materna, especialmente em contextos relacionados à hipertensão gestacional e à pré-eclâmpsia, como ferramenta complementar.
Uso destinado a médicos com formação em obstetrícia e medicina fetal.
1. Posicionamento
Paciente em decúbito dorsal, com a cabeça apoiada, olhos fechados e olhar em posição neutra. Aplicar gel sobre a pálpebra superior.
2. Transdutor e segurança
Utilizar transdutor linear de alta frequência, preferencialmente com configuração para estruturas superficiais ou exame ocular. Apoiar o transdutor transversalmente sobre a pálpebra, exercendo pressão mínima sobre o globo ocular. Manter a potência e o tempo de exposição tão baixos quanto razoavelmente possíveis — princípio ALARA.
3. Identificação do vaso
Identificar inicialmente o globo ocular e o nervo óptico no modo bidimensional. Com o Doppler colorido, localizar a artéria oftálmica, geralmente visualizada medialmente ao nervo óptico.
4. Aquisição do espectro
Posicionar uma pequena amostra do Doppler pulsado no interior do vaso. Manter o menor ângulo de insonação possível, ajustar a escala para evitar aliasing e utilizar filtro de parede baixo. Registrar pelo menos três ondas consecutivas, semelhantes e com contorno bem definido.
5. Identificação dos pontos
PS1: primeiro e maior pico sistólico.
PS2: segundo pico do complexo sistólico, situado à direita de PS1 e antes da incisura protodiastólica.
Pico protodiastólico: primeiro pico após a incisura; não deve ser confundido com PS2.
VDF: velocidade diastólica final, medida imediatamente antes do início do ciclo seguinte.
6. Cálculo da razão dos picos
Razão dos picos = PS2 ÷ PS1
PS1 e PS2 devem ser medidos no mesmo ciclo cardíaco e pertencem ao componente sistólico da onda.
7. Avaliação bilateral
Realizar a medida nos dois olhos. Para reduzir a variabilidade, utilizar pelo menos uma aquisição tecnicamente adequada de cada lado e calcular a média das razões direita e esquerda. Aquisições discordantes ou ondas mal definidas devem ser repetidas.
✓ Pressão mínima sobre a pálpebra
✓ Artéria corretamente identificada
✓ Onda estável e sem aliasing
✓ PS1 e PS2 medidos antes da incisura
✓ Medida realizada bilateralmente
✓ Média bilateral registrada
Erro a evitar: utilizar o pico protodiastólico, situado após a incisura, como se fosse o PS2.